Utilizamos o último dia de JR Pass para ir à cidade de Nikko, localizada em uma região montanhosa ao norte de Tokyo. Nikko tem belíssimos templos e santuários ricamente ornamentados, além de belezas naturais como lagos, cachoeiras, fontes termais, macacos selvagens e trilhas. As atrações principais ficam no Nikko National Park.
Um dia é pouco para conhecer tudo o que Nikko oferece, mas nós não tínhamos muito tempo no Japão, então fizemos um bate-volta mesmo. As taxas de entrada dos templos são um pouco salgadas, vá preparado. O local também é enorme, tem que andar bastante entre uma atração e outra.
Dica: a viagem até Nikko é longa. Para quem vai utilizando o JR Pass, o trajeto exige uma baldeação (nós fizemos 2, pois saímos de Shinjuku). Um dia antes do passeio, pelo menos, verifique os horários que os trens passarão para fazer rápidas conexões e ganhar tempo. Nós não fizemos isso e tivemos que aguardar um tempinho nas estações de Tokyo e Utsunomiya. A viagem da Tokyo Station até Nikko Station, com rápida transferência em Utsunomiya, leva em torno de 1h 40min.
Na Shinjuku Station fomos até a Tokyo Station e lá aguardamos o JR Tohoku Shinkansen para seguir até Utsunomiya Station (cerca de 50 minutos de viagem). O Tohoku sai a cada 20 minutos, aproximadamente.
Chegando na estação Utsunomiya, aguardamos mais um pouco até o trem da JR Nikko Line chegar (as saídas são a cada 30 minutos) e enfim seguimos até a Nikko Station (o trajeto leva cerca de 45 minutos). A viagem no total, saindo da estação de Shinjuku, durou cerca de 2h 30min. Se tivéssemos nos atentado aos horários, acho que ganharíamos quase meia hora.
Para quem não vai utilizar o JR Pass, há outras opções de trajetos entre Tokyo e Nikko aqui.


Como chegar até o parque a partir da Nikko Station:
- A pé: são cerca de 30-40 minutos de caminhada através da avenida principal da cidade. Olhando de frente para à estação, siga para a direita até encontrar a avenida principal, vire à esquerda e vá caminhando até a entrada do parque.
- Táxi: há um ponto ao lado da estação. Até a entrada do parque são cerca de 10 minutos de carro. O taxista nos deixou em frente ao caminho arborizado que leva aos templos.
- Ônibus (duas linhas dão acesso aos templos e santuários):
– Ônibus indo em direção ao Lago Chuzenji param nos pontos “Shinkyo” e “Nishisando”. A partir daí são 5-10 minutos de caminhada até os templos e santuários.
– Ônibus do World Heritage Meguri circulam a cidade a 15 minutos, aproximadamente, e param um pouco mais perto dos templos e santuários. Desça no ponto “Omotesando” para ir ao Toshogu ou Rinnoji ou desça no ponto “Taiyuinbyo-Futarasanjinja-mae” para acessar o Taiyuinbyo e Futarasan Shrine.
– Ônibus conectam a área central de Nikko à região de Okunikko, incluindo o Lago Chuzenji e o Yumoto Onsen, localizados no parque. A viagem de ida ao Lago Chuzenji leva cerca de 50 minutos e custa 1150 yen. Para Yumoto Onsen leva cerca de 80 minutos e custa 1700 yen. O passe de 2 dias (2000 yen) confere uso ilimitado dos ônibus que vão de Nikko ao Lago Chuzenji. Já o passe de 2 dias de uso ilimitado entre Nikko e Yumoto Onsen custa 3000 yen. Ambos podem ser adquiridos na estação Tobu Nikko.
Veja aqui um mapa dos ônibus que circulam pelo parque.
Nós resolvemos pegar um táxi até o Nikko National Park porque queríamos chegar logo. O taxista era um senhorzinho super simpático, ele nos perguntou de onde éramos e quando falamos Brasil ele logo perguntou “Ohhh Rio de Janeiro?” com sotaque japonês hehe. Falamos que somos de São Paulo e ele também já tinha ouvido falar. Durante o caminho ele foi nos mostrando a cidade e disse que no parque ainda conseguiríamos ver resquícios de neve.

Chegamos no parque e já começamos a explorar o local. Preparem as pernas, pois a andança lá é garantida e você subirá muitos degraus. A paisagem é tão linda que acaba amenizando o cansaço.
Há diversas opções de roteiro dentro do parque, afinal são muitas coisas para ver. Como nós só tínhamos um dia por lá, decidimos ficar somente na área dos templos e santuários. Não tínhamos traçado nenhuma rota previamente.
Dica: para aproveitar melhor o local, dê uma “estudada” prévia no mapa do parque e verifique onde fica cada atração, se desejar estipule uma rota. A área dos templos e santuários é enorme e há vários caminhos sem placas, você fica meio sem saber para onde ir. De uma atração até outra há uma boa caminhada. No Google Maps mesmo dá para ter uma boa noção da área.
O taxista nos deixou na avenida e fomos caminhando por uma rua ladeada por enormes árvores. Logo no início vimos o Templo Rinnoji, mas deixamos para conhecer depois (acabou não dando tempo). Seu principal edifício, o Sanbutsudo, está sendo renovado desde 2011, com previsão de término em março de 2019. Ele está todo coberto, mas aberto à visitação.
Então continuamos o caminho…

Continuamos em frente (não subimos essa ruazinha que aparece na foto acima) e chegamos na entrada do Santuário Toshogu.

Decidimos conhecer o local depois, pois o caminho arborizado nos chamou muito a atenção. Estas árvores enormes são os cedros japoneses, conhecidas no Japão como Sugi.
Os cedros se entendem por 37,41 quilômetros de extensão ao longo de três estradas. Foram plantados em um período de vinte anos, com início em 1625. Na região há aproximadamente 13.000 árvores.

O trajeto nos levou ao Taiyuin Temple (Taiyuinbyo), que é o mausoléu do terceiro shogun Tokugawa, Iemitsu, neto de Ieyasu. O esplêndido complexo se assemelha ao Santuário de Toshogu (fotos mais adiante) em seu layout e arquitetura, mas foi intencionalmente construído um pouco mais modesto do que o Toshogu, devido ao profundo respeito de Iemitsu pelo seu avô. Todos os edifícios são baseados no design preto e dourado. Seu mausoléu é registrado como Tesouro Nacional do Japão. Taiyuin é o nome póstumo de Iemitsu.
Veja dias/horários de funcionamento e taxa de entrada aqui.
Taiyuin Temple (Taiyuinbyo)


Obs.: nós não chegamos a conhecer o Futarasan, pois depois do Taiyuin pegamos um outro caminho que nos levou a outros lugares… rs.
Mas voltando ao Taiyuin… este é o portão que leva aos terrenos do templo.




Até chegar ao templo de fato, você terá que subir muitas escadas!






Passando o Yasha-mon Gate, encontramos o Kara-mon Gate. Um portão mais arrasador que o outro!

Passando o portão, você encontrará o Haiden (sala de culto). Pode-se entrar no haiden e ver sua bela decoração, repleta de preciosos ornamentos, esculturas, teto decorado, bem como os pilares e paredes revestidos a ouro. Neste local não é permitido tirar fotos.
Assim como o Toshogu (fotos mais adiante), o Templo Taiyuin (Taiyuinbyo) apresenta uma mistura de estruturas budistas e xintoístas. Era comum conter nos locais de culto elementos de ambas as religiões até o período Meiji, quando o xintoísmo foi deliberadamente separado do budismo. Em todo o país, elementos budistas foram removidos dos santuários e vice-versa, mas no Taiyuin e Toshogu as duas religiões estavam tão entremeadas que a separação não foi realizada completamente. Toshogu foi oficialmente “nomeado” santuário, enquanto Taiyuinbyo tornou-se um subtemplo, pertencendo ao templo Rinnoji, o mais antigo de Nikko.
Seguindo em frente, passamos por pequenos corredores externos e encontramos o mausoléu de Iemitsu.

No templo Taiyuin não há saída para outros lugares, então nós retornamos pelo mesmo caminho para seguir às outras atrações.

Chegamos novamente à entrada do Templo Taiyuin e poderíamos ir ao Santuário Futarasan, pois a entrada estava logo ali, mas vimos uma estradinha simpática e resolvemos percorrê-la, mesmo não sabendo para onde ela nos levaria.


Nós andamos, andamos, andamos e parecia que não chegaríamos a lugar algum. A sorte é que o caminho era maravilhoso.
Depois de uma subida imensa, vimos uma moça voltando e perguntamos o que tinha mais adiante. Ela disse “não querendo desanimar vocês, mas não tem nada demais… só há uma espécie de mini santuário. A trilha continua depois, mas eu não tive coragem de seguir em frente… rs”.
Nós já tínhamos subido tudo aquilo, pelo menos fomos conferir. Pesquisando, vi que este é o Salão Sagrado de Gyoja-do, construído para En’no Ozunu (fundador dos ascetas das montanhas, no período Nara).

Nós vimos a trilha adiante e decidimos continuar. Brasileiro não desiste nunca mesmo. O caminho continuou lindo! Não encontramos mais ninguém, só o ouvíamos o vento passando por entre as árvores da floresta, imaginem que paz…

Passamos por uma pequena cascata chamada Shiraito falls.
… e continuamos.

Até que chegamos em um pequeno santuário (Takino-o Shrine). Observe o orifício presente no torii da foto abaixo. Ele recebe o nome de Undameshi-no Torii, sendo que “undameshi” significa algo como “tente a sorte”. Li que se você atirar uma pedrinha e esta atravessar o buraco, algo bom acontecerá em sua vida. Mas você tem apenas três chances. Eu não sabia disso, descobri ao fazer esse post.

Uma placa informava este santuário era dedicado à Deusa da Água “Mizuhanome Kami” e que visitantes rezavam no local por proteção e boa sorte.
Seguimos em frente e encontramos outro santuário, mas não entramos.
Fomos descendo pela trilha e então chegamos na famosa pagoda de 5 andares do Toshogu Shrine. No final, acabamos dando uma volta toda por trás, mas foi bem legal, curtimos muito a paisagem e aqueles santuários no “meio do nada”.
Toshogu Shrine
O complexo do santuário consiste em mais de uma dúzia de edifícios ricamente decorados. Inúmeras esculturas de madeira, milhares de detalhes e grandes quantidades de folhas de ouro foram usadas para ornamentar as construções. Este tipo de decoração extravagante não é encontrado em outros lugares do Japão, uma vez que a simplicidade tem sido tradicionalmente salientada na arquitetura dos santuários.
Veja dias/horários de funcionamento e taxas de entrada aqui.

Ela é tão alta (36m) e estreita que dá a impressão que qualquer vento mais forte abalaria a estrutura, não é?! Mas olha só os detalhes de sua construção:
A coluna central do pagode (interna) não parte do chão, ou seja, da fundação. Ela é suspensa, pende do quarto andar e termina dez centímetros acima do solo. Esta estratégia de construção desloca o centro de gravidade do edifício, aumentando a sua resistência ao vento e tremores. E olha que incrível: a Tokyo Skytree (aquela torre com vistas lindas para a cidade) utiliza a mesma tecnologia que foi criada para essa pagoda há dois séculos.
Outra semelhança com a Tokyo Skytree: o topo da pagoda e o topo da Tokyo Skytree estão quase na mesma altitude acima do nível do mar, à 645 metros e 634 metros, respectivamente.
Por esse motivo, na entrada do santuário você provavelmente verá cartazes com fotos da Tokyo Skytree.
Vimos que era possível “entrar” na pagoda mediante uma taxa, ou melhor, nós achamos isso. Na verdade só era permitido andar ao redor dela e ver os detalhes mais de pertinho.



O Santuário Toshogu é o mausoléu de Tokugawa Ieyasu, fundador do Shogunato Tokugawa. O shogunato foi o primeiro regime militar feudal instaurado no Japão e durou mais de 250 anos.
Depois de sua morte, seu filho – o segundo Shogun Hidetada e seu neto, o terceiro Shogun Iemitsu, construíram o santuário em 1617.


No Toshogu Shrine há alguns desenhos esculpidos muito famosos. Se você ler sobre isso, certamente ficará procurando-os pelos edifícios… rs. Um exemplo são estes elefantes:

O próximo desenho esculpido fica ali próximo, no Shinkyu-sha. Este edifício era lar de cavalos sagrados utilizados em cerimônias xintoístas. É a única construção do complexo que utiliza madeiras lisas, sem decoração. Mas o que todos querem mesmo fotografar são os três macaquinhos esculpidos.


Obs.: os três macacos estão passando por uma renovação e não poderão ser vistos até março deste ano (2017).
Além da famosa escultura, há outras na fachada do edifício e cada uma tem seu significado e ensinamento:

Passamos pelo torii e subimos alguns lances de escada para ver os outros edifícios.
O famoso portão Yomeimon estava todo coberto devido à renovação que está sendo realizada. Ele permanecerá “escondido” até março de 2019, mas a entrada aos edifícios seguintes é permitida.
Um caminho à esquerda do Yomeimon leva ao Honjido Hall, que abriga o “Dragon Crying”, uma grande pintura de um dragão no teto do salão, que é assim chamado devido ao som de toque cintilante que pode ser ouvido, devido à acústica do salão, quando duas peças de madeira são batidas sob sua cabeça.
Passando o Yomeimon, você encontrará o edifício principal do santuário, que consiste no salão de oração (haiden), conectado ao salão principal (honden). As salas são dedicadas aos espíritos de Ieyasu e a outras duas personalidades históricas mais influentes do Japão, Toyotomi Hideyoshi (aquele poderoso senhor feudal que iniciou a construção do Castelo de Osaka) e Minamoto Yoritomo (fundador e primeiro shogun do shogunato Kamakura).
Os visitantes têm permissão para entrar no edifício ricamente ornamentado, mas fotografias não são permitidas.
Outra escultura muito procurada pelos visitantes é a Nemurineko, que mostra um gato dormindo. Ela está localizada no portal da escadaria de acesso ao túmulo de Ieyasu e simboliza o estado de paz.


Na foto abaixo vê-se o Hoto, local em que os restos mortais de Tokugawa Ieyasu são mantidos. Em frente ao Hoto encontram-se um grou (tsuru) e uma tartaruga (símbolos de boa sorte/fortuna e longevidade).

Após visitar o Santuário Toshogu decidimos ir embora, pois já era quase fim de tarde e estava ficando bem frio.
Voltamos à pé mesmo para a estação. No caminho de volta passamos pela Shinkyo Bridge, localizada próximo à entrada do parque. É possível atravessá-la, mediante uma taxa.
Continuamos nosso caminho em direção à Nikko Station quando tomamos um susto: um macaco passou correndo disparado em nossa frente! Aí foi subindo a rua calmamente, olhando para trás, como quem diz “povo esquisito, parece que nunca viu um macaco correndo pela rua…” rs.
E deve ter bastante macaco circulando por lá mesmo:

Nós amamos tudo o que vimos por lá, belíssimos templos e santuários em meio à natureza exuberante. Se você tiver um dia disponível, vale a pena conhecer, mesmo que não consiga ver tudo. Talvez até tenha que escolher quais templos e santuários visitar.
Uma sugestão de roteiro baseada na localização de cada templo:
Rinnoji → Toshogu → Futarasan (um caminho à esquerda nos terrenos do Toshogu te leva ao Futarasan) → Taiyuin (no Futarasan há uma descida que te leva à “saída”, que na verdade é a entrada principal, e você chega bem no início do Taiyuin). Este roteiro é bem corrido.
Como comentei no início do post, Nikko ainda oferece muitas outras atrações, além dos templos e santuários. Do outro lado do parque há trilhas, lagos e cachoeiras para visitar, incluindo a belíssima Kegon. Você pode conhecer um ou dois templos, pegar um ônibus e ir até o lago ou cachoeira.
Se você pretende ficar mais dias em Nikko, talvez se interesse por estes passes que cobrem o trecho desde Tokyo + uso ilimitado dos ônibus e são válidos por dois ou quatro dias consecutivos. Clique no link acima para ver mais detalhes destes passes.
Outro local que eu gostaria de conhecer é o Tobu World Square, que fica localizado no Kinugawa Onsen. É um museu arquitetônico com reproduções de 102 edifícios mundialmente famosos na escala 1/25, incluindo 45 locais do patrimônio mundial. Um mini-mundo. Clique aqui para acessar o site oficial.
No próximo post contarei sobre nosso passeio pela moderníssima Odaiba, uma ilha artificial de Tokyo!
Olá amiga.
Nossa, quantos detalhes mesmo!! Verdadeiras obras de arte.
E não é só a arte, tem muita história né.
Nossa, deve ser emocionante, tudo, e com certeza da forma que vocês fazem, se conhece muito mais.
Diferente de estar numa caravana, onde para só nos lugares programados.
Demais.
Aff, eu tb levaria um susto se um macaco passasse por mim kkkk
Bjo
renovandoacasasempre.blogspot.com.br
Oie amiga!
Esse lugar é lindo mesmo, os templos e santuários são bem diferentes, coloridos, nós adoramos! Com certeza, muita, muita história…
Verdade, nós sempre preferimos fazer viagens/passeios por conta, qdo possível, pois ficamos mais livres para visitar o que desejamos.
kkkkkkkk o encontro com o macaco foi mto engraçado rsrs.
Beijooo