Viagem realizada em janeiro/fevereiro de 2018.
Saímos de Puerto Natales às 10h e após três horas de viagem chegamos em Punta Arenas. Desembarcamos do ônibus e nesse momento notamos que ali o frio era diferenciado! rs. Bem, estávamos na cidade mais austral do Chile…
Em Punta Arenas não há terminal rodoviário, os ônibus nos deixam em suas próprias garagens. Nós viajamos com a empresa Bus Sur e sua garagem era relativamente próximo ao Hostal Balmaceda, então fomos a pé mesmo. No caminho aproveitamos para passar na empresa Comapa e comprar nossos ingressos para o passeio à Isla Magdalena (50.000 CLP/pessoa) para o dia seguinte. Escolhemos o primeiro horário, com saída às 9h.
Nós estávamos super cansados da trilha feita no dia anterior em Torres del Paine, então só saímos do hostel para almoçar. No dia seguinte acordamos dispostos e animados para o passeio!
Isla Magdalena e os simpáticos pinguins-de-magalhães
Após o café da manhã, saímos para pegar um táxi em direção ao Terminal Tres Puentes, local de saída do ferry que nos levaria à Isla Magdalena. Normalmente pergunto na recepção o valor médio das corridas para ter uma ideia, mas não havia ninguém quando passamos por lá.
Seguimos para a avenida de cima do hostel e vimos vários táxis passando. Logo um deles parou. Nos foi cobrado 4.000 CLP e, comentando o valor mais tarde com a gerente, ela apenas nos disse “Meu Deus, vocês poderiam ter pego o táxi coletivo e pago 500 CLP/pessoa!”. Só que nós ficamos sabendo da existência desse tal táxi só mais tarde e por acaso, quando entramos em um pensando ser táxi comum… rs.
Chegamos no Terminal Tres Puentes e ficamos aguardando para entrar no ferry. O dia estava lindo, céu azul e sol, mas o frio… ah, esse não dava trégua!

A navegação dura em torno de duas horas e atravessa o Estreito de Magalhães, a maior e mais importante passagem natural que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico.
É possível circular pela parte externa do ferry para passar o tempo ou comprar algo quente para beber no pequeno café existente na parte inferior da embarcação. Algumas pessoas tinham levado até baralho para se distrair.

Após desembarcar, temos 1 hora para percorrer a trilha demarcada que contorna uma parte da ilha. Além do frio, lá venta muito, muito mesmo. Se possível, vá de óculos de sol e leve um lenço para cobrir o rosto, pois voa muita areia por todas as direções. Às vezes não dava nem para abrir a boca para falar… rs.

Um grupo de pinguins parecia ter ido nos recepcionar. Estavam lá curiosos, bem próximo de nós e quando todos começaram a se encaminhar para a trilha, eles também deram meia-volta e foram para a mesma direção… rs.
A ilha é habitada por cerca de 30 a 40 mil casais de pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus), número que aumenta durante o período reprodutivo, que compreende os meses de setembro a fevereiro.


Os pinguins-de-magalhães fazem seus ninhos dentro de tocas subterrâneas forradas, por vezes, com algas e restos de vegetação. A fêmea põe dois ovos que levam cerca de 40 dias para incubar. O pai e a mãe se revezam nas tarefas de incubação e alimentação dos filhotes, os quais tornam-se independentes após 2 a 4 meses. A dieta dessas aves consiste em pequenos peixes, crustáceos, polvos e lulas.


A plumagem dos jovens é acinzentada, não apresentando o padrão de colares no rosto e peito, visto nos adultos. No segundo ano de vida começam a trocar as penas antigas por penas novas, apresentando diversas “falhas” pelo corpo, as quais muitas vezes são confundidas com machucados.
As penas são pequeninas e estão presentes em grande quantidade, sendo responsáveis por sua proteção térmica. Por isso, durante a troca de penas, processo chamado “muda”, eles não costumam entrar na água e, consequentemente, não se alimentam, podendo perder até metade do seu peso corporal! Conseguem sobreviver nesse período apenas com as suas reservas de gordura.




Os pinguins-de-magalhães podem ser encontrados no Brasil ao longo da costa sul e sudeste, sem formar colônias reprodutivas. Todos os anos, no inverno, pinguins jovens migram em busca de alimento e águas quentes. Saem da Patagônia e percorrem longas distâncias até chegar em nosso litoral, muitas vezes exaustos, podendo vir a óbito nas praias.
Em meados de agosto, eles fazem a viagem de volta, retornando à ilha para se reproduzir. Os primeiros a chegar são os machos, que procuram pelos ninhos que escavaram na temporada anterior e começam a “reformar” a toca, afinal, a casa tem que estar em ordem para quando suas companheiras chegarem… 🙂
As fêmeas chegam quinze dias depois dos machos. Seus companheiros logo começam a emitir os chamados, sons parecidos ao de trompetes. Dentre tamanha sinfonia, elas conseguem reconhecer seu par e, assim, o casal inicia o período reprodutivo, que dura de 6 a 7 meses.

O farol presente no alto do morro reúne diversas informações sobre a ilha e a fauna da região, além de oferecer uma bela vista panorâmica. O vento se mostrava ainda mais forte na subida.
Na ilha também podem ser vistas outras aves como gaivotas, presentes em grande número, cormorões imperiais, skuas, entre outras. As skuas e as gaivotas dominicanas são os principais predadores dos pinguins, se alimentando de seus ovos e filhotes.




Foi muito legal ficar observando-os em seu habitat, pena que o tempo é curto. Havia muitas crianças no passeio, imagina se não gostaram de ver esses bichinhos tão engraçadinhos… 🙂





Na hora da volta, passada a ansiedade de conhecer os pinguins, todos voltaram mais quietos. Deu até para tirar um belo cochilo.
Passeio na Zona Franca
Desembarcamos no Terminal Tres Puentes e fomos caminhando até a Zona Franca de Punta Arenas. Não tínhamos nada para comprar em especial, só queríamos conhecer mesmo.
Aproveitamos e almoçamos por lá. A praça de alimentação é pequena, não há muitas opções. Optamos por hambúrguer da rede Pedro, Juan & Diego que eu queria ter experimentado ano passado, quando passamos por Santiago. Adoramos!
Depois de comer fomos passear pelas lojas. Havia de tudo um pouco: perfumes, chocolates, bebidas, calçados, roupas de frio, acessórios para camping, eletrônicos etc. Também vimos uma casa de câmbio. Marido acabou encontrando uma loja que vendia canivetes da Victorinox e acabou comprando um. Depois ele pesquisou e viu que estava cerca de 30% mais barato que nas lojas do Brasil.
Após a Zona Franca ainda fomos caminhando até o supermercado Unimarc para comprar umas coisinhas.
Para voltar ao hostel, fomos à avenida para tentar pegar um táxi. Um deles parou e nós entramos pensando se tratar de um táxi comum, mas outras pessoas entraram conosco. Achamos super estranho e depois percebemos que aquele era o chamado táxi coletivo, que fica rodando pela cidade e para em determinados pontos. Nós informamos a rua do nosso hostel ao motorista e ele nos deixou bem próximo, numa rua abaixo. Custou 500 CLP/pessoa (fevereiro 2018).
No dia seguinte tomamos café, arrumamos nossas coisas e partimos para o aeroporto de Punta Arenas. Infelizmente a viagem tinha acabado. O táxi custou 8.000 CLP, a própria gerente do hostel chamou o rapaz e disse que esse era o preço correto.
E assim terminou nossa jornada pela Patagônia, uma região simplesmente fascinante e inspiradora! Voltamos com um gostinho de quero mais…
♥ ♥ ♥
Bom dia! Entre os meses de julho e setembro, é possível fazer esse passeio?
Olá, Ciro! Tudo bem?
Infelizmente não sei te informar, sugiro que entre em contato com alguma empresa que realiza o passeio, como a Comapa: http://www.comapa.com/navegacion-a-isla-magdalena
Bom dia. Gostaria de saber se na zona franca tb vendem comida liofilizada, tipo arroz, feijão etc etc.
E levaram dólar ou reais pra trocar la?
Olá, Norma!
Não lembro de ter visto comida liofilizada por lá, mas acho que você consegue encontrar algumas opções nos supermercados.
Levamos um pouco de dólares e reais.