Viagem realizada em janeiro/fevereiro de 2018.
Após um ótimo dia de descanso, acordamos renovados para a próxima trilha. Olhei pela janela do corredor do hotel e me deparei com o Fitz Roy, a lua ao seu lado e um lindo céu azul. A manhã não poderia ter começado melhor! 🙂
Seguimos para o Centro de Visitantes, pois de lá se inicia a trilha Loma del Pliegue Tumbado. Aliás, que nome esquisito, né? O termo loma significa morro; colina e pliegue tumbado é o nome do agrupamento de morros que pode ser avistado durante o percurso.
Começamos cedo, pois essa trilha tem cerca de 24 km e tempo estimado de cerca de 6 a 8 horas, ida e volta.

A placa abaixo informava sobre a possível presença de fósseis durante a trilha e a multa de US$ 100 para quem os remover (eventualmente, a mochila dos visitantes pode ser revistada pelos funcionários do parque).
Nós caminhamos bem atentos, mas não vimos nenhum fóssil, infelizmente.
O trajeto dessa trilha é praticamente só subida, com desnível de 1 km. Cansa bastante, nós fizemos diversas paradas para recuperar o fôlego. Neste dia estava muito calor, caminhei quase o tempo todo de camiseta manga curta.
A primeira parte da subida é feita com sol no lombo, praticamente sem sombra. Depois segue por um bom trecho de bosque, aliviando o calor. A última etapa é uma área totalmente aberta. Durante todo o percurso só encontramos uns dois pontos para coletar água, mas como há gado pela região, seria melhor levar o suficiente para a trilha ou adicionar pastilhas purificadoras, como o Clor-in.


No início da trilha passamos por trechos bem na beira da montanha. Todo cuidado é pouco com ventos fortes.

Uma coisa curiosa eram as rochas e os locais onde se encontravam:


Muitas pessoas consideram a Loma del Pliegue Tumbado a trilha mais bonita devido às montanhas, como o Fitz Roy, que podem ser vistas durante quase todo o percurso. Isso é claro, se o céu estiver aberto.
Se nos dias anteriores praticamente não vimos o Fitz Roy, nessa trilha ele resolveu se mostrar o tempo todo. E vou te falar, era bem difícil desgrudar os olhos dele. Por vezes também contemplávamos o caminho que tinha ficado para trás. As vistas para o vale eram de fazer suspirar…
Encontramos muitas vacas pelo caminho e não as confundimos com huemul (já leu o post anterior? rs). Uma placa informava que elas são selvagens. Pareciam não ter gostado muito da nossa presença, mas não fizeram nada, além de ficar mugindo bastante. E o Fitz Roy sempre nos acompanhando…
Estava admirando as montanhas quando olhei para o chão e vi o mato se mexendo. Era uma lebre! Quando ela percebeu a nossa presença, ficou imóvel, arregalou os olhos, abaixou as orelhas para trás, ressabiado, e depois levantou as levantou em alerta. Nós ficamos parados, só tirando fotos. Aí acho que ela não se sentiu em perigo e voltou a comer, comer e comer… continuamos a andar e ela nem aí para nós.
Após esse curto trajeto em terreno plano entramos no bosque. Que caminho lindo e gostoso, cheio de passarinhos! Era subida também, mas bem agradável.
Logo que saímos do bosque encontramos o Mirador Loma del Pliegue Tumbado.
Ainda tinha mais subida por um espaço totalmente aberto, sem nenhuma árvore. Fomos seguindo as marcações. Por sorte não estava ventando.

O silêncio da subida só foi cortado por um bando de patos cruzando o céu em alta sinfonia. Que cena linda! Passaram pelo Fitz Roy e foram embora…
O último trecho tinha muitas, muitas pedras. Só pedras. Parecia até a superfície de um outro planeta.

Chegando no topo do morro já era possível enxergar o lindo Cerro Torre! O cenário em que ele se encontra é demais, uma paisagem única!
Subimos em 3h30min, melhor do que o esperado.

Sentamos atrás da mureta de pedra, comemos nosso lanche e ficamos descansando. A subida não tinha sido mole não. Enquanto isso, um grupo de senhores franceses chegou. Eles tiraram fotos, sentaram, comeram rapidinho e logo começaram a caminhar para uma montanha enorme ao lado.
“Não é possível que vão subir esse trem todo ainda”, pensamos.
Subiram e subiram direto, sem parar. Ficamos só olhando eles chegando lá no topo. A vista deve ser surreal, mas nem cogitamos fazer o mesmo… rs.

Para todos os lugares “natureza vibe” que viajamos, sempre encontramos muitos turistas franceses. E sempre ficamos abismados com sua disposição, é incrível! Andam super rápido e parece que não cansam.
Após recuperar o fôlego, resolvemos voltar. Começamos a descida pelo morro cheio de pedras e outra surpresa. Um menininho de 5 ou 6 anos, com seu bonezinho, caminhando todo feliz olhando atento ao seu redor. Uma graça. Ele estava só com a mãe, fiquei me perguntando se ele tinha subido tudo aquilo sem colo. Devem ser franceses… rs.

Na metade do caminho percebemos que o tempo já estava mudando. Os ventos patagônicos chegaram junto com muitas nuvens. No último trecho, onde caminhamos próximo à beirada da montanha, estava a maior ventania. Às vezes eu tinha que parar e firmar bem os pés no chão para não desequilibrar. Nesse momento eu só conseguia pensar no menininho.

Mas, no geral, a volta foi bem tranquila. Como o terreno não é muito acidentado, descemos em 2 horas. Fizemos a trilha Loma del Pliegue Tumbado em 5h30min.
O percurso é lindo mesmo, especialmente se o céu estiver aberto. Nós adoramos as vistas e o fato da volta ser mais suave… rs.
Trilha Loma del Pliegue Tumbado
Início da trilha: atrás do Centro de Visitantes.
Extensão: cerca de 24 km, com desnível de 1 km. O trecho de ida é praticamente só subida.
Tempo total estimado: 6 a 8 horas.
Obs.:
- Há poucos pontos de água e vimos gado pela região. Considere levar água para todo o percurso ou utilizar pastilhas purificadoras, como o Clor-in.
- Ventos fortes podem tornar o último trecho bem perigoso, então é melhor consultar a previsão. Muitos utilizam o site Windguru, mas informações sobre as condições de cada trilha também podem ser obtidas no Centro de Informações Turísticas e também no Centro de Visitantes.