Viagem realizada em abril de 2017
Além dos enigmáticos moai, nós estávamos ansiosos para conhecer os vulcões da Ilha de Páscoa.
A ilha foi formada a partir de erupções de três vulcões principais: Poike, Rano Kau e Terevaka. Estes e outros vulcões secundários hoje encontram-se dormentes, sendo possível vê-los de perto, uma experiência única!
Rano Raraku
O vulcão Rano Raraku, eu já mostrei aqui. O local tem grande importância histórica, já que ali foram elaborados os famosos gigantes de pedra.


Rano Kau
Outro vulcão que impressiona os visitantes é o Rano Kau, com sua imensa e bela cratera. Nós o visitamos cerca de três vezes, fica a poucos quilômetros do centrinho (Hanga Roa).
A cratera do Rano Kau tem cerca de 1,6 km de diâmetro e está localizada a 324 metros acima do nível do mar. No interior de sua cratera uma lagoa de aproximadamente 10 metros de profundidade foi formada. Sua superfície encontra-se quase totalmente coberta por ilhotas flutuantes formadas por juncos de totora, uma planta aquática também encontrada no lago Titicaca, no Peru.
Esta lagoa foi uma das principais fontes de água doce para os moradores da ilha até algumas décadas atrás.


É possível caminhar ao redor da cratera. Só para ter uma ideia da dimensão do lugar, olha só eu na foto abaixo…
Caminhando para a esquerda do vulcão (olhando-o de frente), há uma trilha que vai até à “mordida” da cratera. Nós fizemos esse trekking e foi bem legal, no caminho temos diferentes ângulos de visão do Rano Kau. É uma caminhada leve, tem um pouco mais de 3 km e fizemos em torno de 2 horas (ida e volta), indo bem tranquilamente e parando para tirar fotos.
Nós começamos o percurso e logo notamos que tínhamos companhia, uma dócil e esperta cachorrinha!



Essa cachorrinha era engraçada. Às vezes ela andava perto de nós, mas na maioria do tempo ia liderando, nos mostrando o caminho. Nós fazíamos várias paradas para tirar fotos, aí ela olhava para trás já bem lá na frente e então parava e ficava nos esperando. Isso aconteceu diversas vezes, muito paciente essa garota! 🙂

Foi por essa “mordida” na cratera (Kari Kari), vista na imagem acima, que o fluxo de lava se encaminhou ao oceano. Acredita-se que, futuramente, o contínuo choque das ondas contra o paredão provocará a quebra deste frágil muro, permitindo o acesso do mar no interior da cratera.
E chegamos! A vista deste ponto é demais! Aproveitamos a parada para comer um lanche apreciando essa paisagem incrível.

As ilhotas em frente são chamadas Motu Nui, Motu Iti e Motu Kao Kao, que em Rapa Nui significam ilha grande, ilha pequena e ilha pontuda, respectivamente. Tanto a cratera do vulcão Rano Kau, quanto a Motu Nui fazem parte de um importante e tradicional ritual que acontecia nos tempos passados: o culto ao homem-pássaro. Contarei mais sobre isso em outro post.
Nesta parte da cratera também é possível ter uma noção da localização da aldeia cerimonial de Orongo, um espetacular sítio arqueológico que está relacionado ao homem-pássaro e claro, merece um post à parte.


Depois do descanso decidimos voltar, pois o sol estava bem “ardido”.
Assim que chegamos ao ponto inicial, nossa companheira de trilha seguiu seu caminho…

Próximo ao vulcão Rano Kau há uma rocha com petróglifo do homem-pássaro:

Também é possível acessar Orongo caminhando por uma trilha à direita da cratera de Rano Kau. De carro é só continuar subindo a estrada, fica bem pertinho.
Nas proximidades do vulcão Rano Kau não há nenhum comércio e os sanitários mais próximos estão localizados em Orongo. Lá venta bastante, então muitas vezes um casaco torna-se necessário. Se for fazer alguma trilha, lembre-se de levar água, boné e o protetor solar, extremamente importante na Ilha de Páscoa.
Como chegar ao vulcão Rano Kau
Nós fomos de carro a partir de Hanga Roa. Pegamos a avenida Atamu Tekena até o aeroporto e viramos à direita na Hotu Matu’a. Passamos pelo único posto de gasolina da ilha e continuamos em frente. É bem fácil chegar, há placas indicando o caminho. Ah, a estrada é asfaltada.
Há um pequeno estacionamento localizado em frente ao vulcão. Achava que teríamos que caminhar um pouco para chegar até ele, mas não, fica bem próximo à estrada.
De bike também rola vir pelo mesmo caminho, mas há uma subida bem íngreme.
Algumas pessoas optam ir à pé até o Rano Kau. Para chegar caminhando, deve-se seguir o sendero Te Ara o Te Ao que parte dos jardins da CONAF, um pouco depois da caverna Ana Kai Tangata. É uma subida considerável que leva em torno de uma hora até o vulcão. Durante a trilha há vistas muito bonitas da região costeira de Hanga Roa.
Não há “portaria” no vulcão Rano Kau, assim, pode-se visitá-lo quantas vezes e o horário que desejar.

Puna Pau, a fábrica dos pukao
O pequeno vulcão Puna Pau está localizado a cerca de 7 km de Hanga Roa (aproximadamente 15 minutos de carro).
Neste local eram talhadas aquelas peças avermelhadas vistas sobre a cabeça de algumas estátuas, chamadas pukao. Embora se assemelhem a um chapéu, teorias indicam que se trata do “penteado” utilizado pelos homens Rapa Nui, um tipo de coque alto na cabeça.

A matéria-prima dos pukao era extraída do interior da cratera do vulcão Puna Pau, formada por escória vermelha, um tipo de cinza vulcânica fácil de talhar devido à alta porosidade e baixa dureza, cuja coloração é devido ao óxido de ferro presente em sua composição.



Estima-se que os pukao pesem cerca de 10 toneladas. Estas estruturas tiveram que ser transportadas para várias partes da ilha, alguns trajetos somavam mais de 12 km! Assim como o deslocamento dos gigantes de pedra, o modo como isso foi feito ainda não está elucidado.
Acredita-se que os pukao, devido ao seu formato, tenham sido rolados até o local de destino. Para posicioná-los sobre a cabeça dos moai, há duas teorias explicativas: uma delas supõe que cada pukao foi rolado até o alto da cabeça por uma rampa de pedras. A outra indica que cada estátua já era levantada em sua plataforma com seu pukao amarrado na cabeça.

Atualmente, a cratera do vulcão Puna Pau encontra-se coberta de vegetação. Apenas alguns afloramentos de escória podem ser observados numa parte da encosta.

A trilha que percorre o local também leva a um mirante com uma bonita vista.
Como o local não é grande, a visita a este sítio arqueológico pode ser feita rapidamente.
Como chegar à Puna Pau
Nós paramos para visitar Puna Pau quando estávamos indo para o Ahu Akivi, já que está localizado na metade do caminho.
Desde Hanga Roa, pegamos a Av. Hotu Matu’a e seguimos pela Camino Vaitea Anakena até uma estrada à esquerda que leva à Puna Pau. Deve-se apresentar o ingresso do parque no local e não há limite de visitações.

Ma’unga Terevaka
O vulcão Terevaka está a uma altura de 511 metros acima do nível do mar, sendo o ponto mais elevado da Ilha de Páscoa. Ao contrário dos outros vulcões que mostrei, o Terevaka não tem uma cratera principal, devido à forma em que foi originado.
Pode-se subir até o topo do vulcão à cavalo, acompanhado por guia, ou caminhando. A subida é um pouco cansativa, devido à forte inclinação e ausência de sombras. Mas dizem que o esforço compensa, pois a vista 360º lá do alto é grandiosa. Em dias de céu aberto é possível enxergar os extremos da ilha e a imensidão do mar.

O trekking da base até o topo do Terevaka leva cerca de 4 horas (ida e volta). Nós tínhamos planejado fazer essa caminhada, deixamos para o penúltimo dia, já que não era um passeio imprescindível para nós. Porém, acabamos desistindo devido ao sol forte do dia e um leve cansaço instalado em nossos corpitchos sedentários… rs.
Como chegar ao Terevaka
Bem próximo ao estacionamento do Ahu Akivi inicia-se uma trilha que leva ao vulcão. Dá para deixar o carro (ou bike) lá e seguir caminhando. Desde Akivi, o trecho percorrido é de aproximadamente 3,5 km. Não vimos portaria por ali, então creio que seja possível fazer o trekking no horário que desejar, embora o recomendado seja pela manhã cedo ou mais à tarde, a fim de evitar o sol forte.
Uma outra trilha que vi durante minhas pesquisas, parte das antigas instalações do Fundo Vaitea.
Poike
O vulcão Poike foi a primeira porção emergida do mar e que, juntamente com posteriores erupções, formou o atual território da Ilha de Páscoa.
Este vulcão não é tão visitado como os outros devido à sua localização mais afastada e acesso um pouco complicado. Entretanto, algumas pessoas seguem para o Poike principalmente para conhecer de perto uma famosa caverna, a Ana o Keke.

Encravada no paredão da península de Poike, a caverna Ana o Keke, também conhecida como a “caverna das virgens”, é uma das mais lendárias, remotas e difíceis de acessar da Ilha de Páscoa. Sua entrada está localizada a 90 metros acima do nível do mar e não é fácil de encontrar sem um guia.
Acredita-se que na caverna Ana o Keke, garotas adolescentes ficavam isoladas, sendo preparadas para futuros rituais religiosos ou sexuais relacionados à fertilidade. Na parede da entrada há petróglifos com símbolos curiosos ainda não decifrados.
Além da caverna, o vulcão Poike guarda outros pontos de interesse como um pequeno moai bastante erosionado, além de resquícios de antigas moradias e inscrições em algumas rochas.
Como chegar ao vulcão Poike
Desde Hanga Roa, o caminho mais rápido é pela estrada que vai margeando a costa. Após passar o Ahu Tongariki, percorra cerca de 2 km até um pequeno desvio que leva à uma pequena casa. Neste local pode-se estacionar o carro e iniciar as trilhas para explorar o vulcão.
… e a aventura pela Ilha de Páscoa continua!
Olá Angélica. Em primeiro lugar, nossos parabéns pelos seus relatos sobre a Ilha de Páscoa – eles são perfeitos: fotos, história, estória, lendas, informações, … tudo sensacional! Mas aproveito para lhe perguntar sobre uma dúvida acerca do Rano Kau. Observei que vocês fizeram tanto o contorno pela esquerda (trekking com a companhia da cachorra Destemida – rs) como o caminho pela direita, que vai até Orongo. Pelo que entendi, cada caminho chega até a extremidade da “mordida” da borda do vulcão, mas de lados opostos, correto? Parece-me que as vistas a partir dessas 2 extremidades da mordida razoavelmente se equivalem. Iremos em 5 em fevereiro/março de 2020 para a Ilha. Considerando a “juventude” do grupo (2 com mais de 70, 2 com mais de 50 e só uma bebê de 21, embora todos sejam muito jovens de espírito), achei que não agrega muito em termos de paisagem fazer a trilha da esquerda (sem considerar, claro, a própria magia da trilha) . Você concorda? Pelo caminho da direita também se avista as ilhas de Moto Nui? Até onde se consegue chegar de carro pela esquerda (pelo que vi no google, acho que se chega até bem próximo de Orango – após o “mirante Rano Kau”)? E pela trilha da esquerda? Muito obrigado e mais uma vez parabéns!
Olá, Viajante! Tudo bem? Desculpe a demora da resposta!
Muito obrigada, fiquei feliz que gostou dos relatos! 🙂
Sim, nós fizemos a trilha pelo lado esquerdo do Rano Kau e depois fomos conhecer o lado direito da “mordida” via Orongo. Para chegar em Orongo é possível ir caminhando ou de carro (nós preferimos ir motorizados rs). Em Orongo você estaciona e já está praticamente na área próxima à “mordida”, a caminhada é super rápida e de lá se tem uma bela vista de Moto Nui, até mais próxima do que se vê pelo lado esquerdo.
Creio que a diferença mesmo esteja na visão do paredão vulcânico de encontro ao mar e à magia da trilha, como bem disse! 🙂
Para fazer a trilha do lado esquerdo, deve-se deixar o carro estacionado nas vagas localizadas em frente ao “mirante Rano Kau”. Orongo, um pouco mais adiante, tem seu estacionamento também.
Espero ter ajudado!
Feliz 2020 e uma viagem inesquecível a vocês!